�Ser crian�a�
sonhosrevividos, palavras alinhadas.
Lembran�as que s�o mem�rias sem papel
Impalp�vel mat�ria no peito, cravada.
Desenrolam-se et�reas, num imenso cordel.
Era na linha do trem a maior aventura
Coletando pedrinhas, brincava nos trilhos.
Um clima de festa que vem e perdura.
Traz de volta momentos, em estribilhos.
Fam�lia, varanda, cadeira de balan�o.
A desenhar nas nuvens passava a vida
Improv�veis figuras que j� n�o alcan�o
Desfaz - se como a palavra proferida
Muito mais que fotogramas amarelados
S�o as doces lembran�as que trago comigo
Saudosos momentos por mim guardados
Servem-me hoje de for�a, alento e abrigo.
A inf�ncia volta com for�a � mem�ria
Como carneirinhos que traziam o sono
Revivendo os detalhes dessa historia
Banindo toda a sensa��o de abandono.
Sentimento esse que nos toma de assalto
Ao ver no mundo a maldade distribu�da
Por conta da falta de amor, um pre�o alto.
E inocentes pagam com a pr�pria vida
S�o cenas que interferem no nosso desejo
De criar poesias que a dor ameniza
J� que nos impele a aproveitar o ensejo
E em alta voz clamar por justi�a
Quanto mais teremos que esperar?
E quantas �Isabellas� ainda v�o morrer?
Para que possamos nos conscientizar
Que s� o amor tem que prevalecer
E retendo mem�rias que vem aludir
Com a for�a resoluta que no peito vai
Queria ser menina se pudesse pedir.
E estar segura na forte m�o do meu pai.
Gl�ria Salles