O que é mais provável? Um universo com 13,8 bilhões de anos, bilhões de galáxias, bilhões de estrelas, bilhões de planetas, evolução de dinossauros, macacos, humanos, você. Ou só um cérebro surgir por acaso com a falsa memória de que ele já viveu tudo isso. Matematicamente falando, criar só um cérebro exige muito menos organização do que criar um universo inteiro. Em alguns modelos cosmológicos, é muito mais provável que exista um cérebro aleatório acreditando que está vivendo num universo, do que um universo real produzindo esse cérebro. Essa teoria é chamada Boltzmann Brain. E essa ideia nasceu inspirada nos trabalhos de Ludwig Boltzmann. E o Boltzmann, ele estudava entropia, a tendência do universo ao caos. E a lógica é assim, ó: O universo ele tende à desordem, mas por puro acaso, pequenas flutuações de ordem podem acontecer. Se o universo existir por um tempo praticamente infinito, então tudo que tiver uma probabilidade diferente de zero vai acontecer um número infinito de vezes, inclusive um cérebro. Não um planeta, não uma galáxia, só um cérebro completo, com neurônios, memórias, personalidade, lembranças da infância, traumas, sonhos, tudo aparecendo do nada por uma flutuação quântica e desaparecendo um segundo depois. O doido dessa teoria é que se você fosse um Boltzmann Brain, todas as suas memórias elas seriam falsas. Tua família, teus amigos, tuas experiências, essa conversa, você estar lendo esse meu texto nesse momento. Resumindo, o Boltzmann Brain é praticamente a ciência perguntando: E se o universo fosse tão velho que, de zoeira estatística, ele criasse alguém que está convencido de que viveu tudo isso aqui? Só que, na verdade, ele acabou de ser criado.
— .(Escrito dia 06/07/2026, às 19:05)


Denunciar








