Nossas escolhas não precisam ser sentenças perpétuas. O que a gente escolhe, no momento em que escolhe, é o que a gente conseguiu escolher naquele momento. É o que fazia sentido pra gente, com a informação que a gente tinha, com a maturidade que a gente tinha com os desejos que a gente tinha com a vida que a gente estava vivendo e eu acho que a gente esquece disso. A gente olha pra uma escolha que fez anos atrás e parece que porque foi a gente que escolheu, agora a gente precisa sustentar aquela escolha até o fim. Mas quando é o fim? Deveria ser quando aquela escolha e o resultado dela deixam de fazer sentido pra gente, deixam de fazer a gente feliz. Talvez hoje você seja outra pessoa, talvez você tenha vivido o que precisava viver pra descobrir que aquilo não era pra você. Você não tinha como saber como seria se não tivesse escolhido. Então pare de se cobrar e se sentir culpada pelas escolhas que fez e por não querer mais o que elas te trouxeram. Eu acho muito cruel a gente encarar essas descobertas pós-escolhas como fracassos. Elas não são motivo de vergonha, são respostas, são o que nos aproxima do que a gente quer e o que nos ajuda a compreender melhor quem estamos nos tornando. Não faz sentido transformá-las numa espécie de punição, tipo, se escolheu agora aguenta. Porque se você pode escolher de novo, pode ser uma mudança de cidade, um trabalho, uma carreira, um relacionamento, pode ser uma vida inteira que olhando de fora parece exatamente a vida que você deveria querer, mas que vivendo você percebeu que não quer. Que não funciona pra você. Pode ser que você olhe pra tudo e pense, eu só posso estar louca de não querer isso aqui que todo mundo iria querer. Mas eu acho que você deve ter ouvido de uma mulher muito sábia, também conhecida como mãe, que você não é todo mundo. E você não é ingrata por não querer algo que qualquer um iria querer. Deixa essa vida pra outra pessoa viver. Deixa essa escolha pra quem sonha com o que ela vai trazer. Vai sonhar o teu sonho, vai viver o que você quer agora, a vida é tua. Se um amigo teu chegasse e dissesse, eu fui morar em tal lugar achando que ia ser feliz, mas não sou, provavelmente eu não ia dizer, você escolheu, agora aguenta. Provavelmente você ia dizer, então volta. E por que com você é diferente? Porque você acha que voltar é fracasso? Que mudar de ideia é vergonha? Que recalcular a rota significa que você não sabe o que quer? Às vezes você só descobriu, ao menos por agora, então escolha de novo. Você não deve fidelidade às suas escolhas, você deve fidelidade a si, a quem você está se tornando. A gente escolhe, descobre vivendo, então quando você puder escolher, escolha quantas vezes você quiser. A simples possibilidade de algo dar certo já me parece muito melhor do que a certeza de algo que não está dando, algo que não lhe pertence, que não te cabe mais. Porque muitas das vezes permanecemos em caminhos que se tornam minúsculos diante da nossa grandeza, principalmente quando temos consciência de que podemos ir muito mais além, quando a gente tem a dimensão do tamanho da nossa capacidade.
— .(Escrito dia 07/09/2026, às 15:42)


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