« Anterior 29/11/2021 - 16:58
Desmatamento: mentira tem perna curta
Ainda na linha do mentiroso recorrente, e de que a mentira tem perna curta, conforme o dito popular; √© tamb√©m conhecido que o mentiroso contumaz inventa a segunda, depois outra, mais outra, enfim dezenas, centenas, milhares. Mas vindo de Portugal, outro ditado, avisa: ‚Äúa esperteza, quando √© muita, vira bicho e come o dono‚ÄĚ. Assim tem se comportado o (des)governo atual, um mentiroso contumaz. Pin√≥quio deu cara (de pau) √† mentira e seu personagem-s√≠mbolo universalizou. No Brasil de hoje, Bolsonaro √© nosso Pin√≥quio-mor, vindo a seguir seus ministros subservientes, indignos e sem nenhuma altivez. Talvez pelo fato de dizerem que o brasileiro √© ‚Äúbonzinho‚ÄĚ, fala com humor, raramente com raiva, dos grandes mentirosos, inclusive do atual presidente. Suas mentiras n√£o s√£o responsabilizadas pelo tamanho do despaut√©rio, pelos preju√≠zos impostos ao povo, e a na√ß√£o. Em outras culturas, a mentira √© punida com mais rigor, inclusive na mem√≥ria popular. Mas j√° que foi citado alguns, prov√©rbios, ditos populares, n√£o devemos esquecer o proverbio mendax et furax (mentiroso e ladr√£o), que associa quem mente, a quem rouba. O desmatamento na regi√£o Amaz√īnica n√£o √© uma pr√°tica atual. O bioma, que ocupa cerca de 49,29% (4.196.943 milh√Ķes de km2) do territ√≥rio brasileiro est√° presente nos estados do Acre, Amap√°, Amazonas, Par√°, Roraima, Rond√īnia, Mato Grosso, Maranh√£o e Tocantins; sofre com a retirada da cobertura vegetal a partir da d√©cada de 1970. A hist√≥ria recente mostra que sabemos como fazer para diminuir o desmatamento, como control√°-lo. No ano de 2004, o governo federal criou o Plano de A√ß√£o para Preven√ß√£o e Controle do Desmatamento na Amaz√īnia Legal-PPCDAm, visando reduzir o desmatamento na Amaz√īnia, e buscar maneiras de desenvolver a regi√£o. Nesse per√≠odo, foi criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE, o DETER, sistema expedito de alerta para suporte √† fiscaliza√ß√£o, utilizando imagens de sat√©lite, que detectam em tempo real o desmatamento. A partir de ent√£o houve uma significativa redu√ß√£o das taxas de desmatamento. Essa redu√ß√£o perdurou entre os anos de 2008 a 2015, ficando entre 7.989km2 e 6.207km2. Para registro, o ano de 2012 foi o de menor √≠ndice de desmatamento desde 1988. Foram desmatados cerca de 4.571 km2, de acordo com o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amaz√īnia Legal por Sat√©lite-PRODES, desenvolvido em 1988 para monitorar o desmatamento do bioma. A cria√ß√£o de diversas unidades de conserva√ß√£o tamb√©m contribuiu para esta importante redu√ß√£o no desmatamento nesse per√≠odo. A partir de 2016, as taxas de desmatamento voltaram a aumentar. Nesse ano foram desmatados cerca de 6.947km2, aumentando para 7.900km2 entre os anos de 2017 e 2018, um aumento de 13,7% de √°reas devastadas. Em 10 de janeiro de 2019, com a posse do atual (des)governo, apoiando e incentivando a minera√ß√£o ilegal na regi√£o, a explora√ß√£o agropecu√°ria extensiva, e com um discurso de que as fiscaliza√ß√Ķes provocam impacto negativo nas atividades do campo; foram tomadas medidas efetivas para reduzir os poderes dos √≥rg√£os de controle e fiscaliza√ß√£o, como o ICMBio, IBAMA, Policia Federal. O que ocorreu com o IBAMA mostra o desmonte em curso destes √≥rg√£os, sua anula√ß√£o, diante de suas fun√ß√Ķes/obriga√ß√Ķes institucionais. O Decreto 9.760/2019, instituiu no IBAMA o N√ļcleo de Concilia√ß√£o Ambiental, cujo papel √© o de analisar, mudar o valor ou anular a multa aplicada pelo √≥rg√£o. As a√ß√Ķes do (des)governo e o aumento do desmatamento, est√£o intrinsecamente interligadas, os dados demonstram. De acordo com o IBAMA, em 2019 foram aplicadas menos multas a infratores ambientais do que em 2018. A redu√ß√£o da fiscaliza√ß√£o foi acompanhada pelo aumento do desmatamento e das queimadas, que est√£o associadas n√£o s√≥ √†s quest√Ķes naturais, mas tamb√©m √†s atividades humanas, como a manuten√ß√£o das terras cultiv√°veis ou expans√£o das pastagens. Esta breve retrospectiva, nos leva ao que disse o atual ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, substituto de Ricardo Salles (o governo trocou "seis por meia d√ļzia"), e que ocupava o cargo, antes de ser nomeado ministro, de Secret√°rio da Amaz√īnia e Servi√ßos Ambientais, al√©m de ter sido conselheiro por mais de 20 anos da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Na C√ļpula do Clima em Glasgow anunciou de que o Brasil est√° empenhado em eliminar completamente o desmatamento ilegal at√© 2028, e reduzir as emiss√Ķes de gases de efeito estufa at√© 2030 em 50%. Assim, seguindo o caminho do Pin√≥quio-mor, contou ao mundo a mentira da hora, a mais recente, aquela que trata sobre o desmatamento da Amaz√īnia, hoje a principal causa das emiss√Ķes de gases de efeito estufa pelo pa√≠s, em particular o di√≥xido de carbono (CO2). A de que o (des)governo que faz parte est√° empenhado em eliminar o desmatamento daqui a 7 anos. Mentira deslavada diante dos dados divulgados, que mostra o sentido contr√°rio do que afirmou e se comprometeu em Glasgow.  Desde 2019, era Bolsonaro, a Amaz√īnia perdeu cerca de 10.000 km2 de floresta por ano. O presidente, e seus ministros da √°rea, mesmo sabendo bem antes do in√≠cio da C√ļpula do Clima em Glasgow, que a taxa de desmatamento na Amaz√īnia havia disparado, com n√ļmeros alarmantes, preferiu reter as informa√ß√Ķes, como parte de uma estrat√©gia ‚Äúinfantil‚ÄĚ ou ‚Äúsenil‚ÄĚ, de tentar reconstruir uma credibilidade ambiental diante da comunidade internacional, evitando cr√≠ticas pela nefasta gest√£o na √°rea socioambiental. Tudo deu errado, conforme esperado. Ap√≥s os dados de desmatamento vir √† tona, todos, sem exce√ß√£o, √≥rg√£os da imprensa mundial estamparam reportagens sobre a sonega√ß√£o de informa√ß√Ķes, e o disparo do desmatamento nos √ļltimos tr√™s anos, que coincidem com a posse do atual presidente. N√£o se pode deixar de mencionar o papel, al√©m do ministro Leite, do astronauta e anti-ministro de Ci√™ncia, Tecnologia e Inova√ß√Ķes. Marcos Pontes, que havia recebido em seu gabinete o relat√≥rio do INPE, 15 dias antes da reuni√£o de Glasgow com informa√ß√Ķes sobre os catastr√≥ficos n√ļmeros do desmatamento, se calou. Questionado em entrevista recente, aquele que √© ministro sem nunca ter sido, alegou que nada sabia, que n√£o conhecia o relat√≥rio do INPE pois estava de f√©rias. Figura nefasta, al√ßado a ministro de Estado, e cuja contribui√ß√£o √© inequ√≠voca para que a ci√™ncia se torne ref√©m da pol√≠tica. A participa√ß√£o desta tr√≠ade no epis√≥dio da tentativa de enganar, mentir e omitir dados alarmantes, que apontou o recorde de desmatamento na Amaz√īnia, antes da COP26, foi um deboche mundial √† intelig√™ncia alheia. Como ser levado a s√©rio, se a determina√ß√£o foi e √© de enfraquecer os √≥rg√£os ambientais cortando o financiamento e pessoal? Como ser levado a s√©rio se para fins de propaganda enviou militares e policiais despreparados, gastando centenas de milh√Ķes de reais para proteger a floresta Amaz√īnica, sem que efetivamente o objetivo maior fosse atingido (mais um vexame para as for√ßas armadas)? E como fica, a credibilidade, com a declara√ß√£o do Presidente, de que a floresta tropical n√£o pega fogo por ser √ļmida? Ent√£o quem vai investir num pa√≠s cujos governantes se omitem, e mesmo compactuam diante de a√ß√Ķes criminosas, e por essa raz√£o, o desmatamento bate recordes? A mentira tem perna curta, e este atual (des)governo foi uma grande mentira contada a popula√ß√£o brasileira. Heitor Scalambrini Costa


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