Antes que esse texto seja levado para uma discussão que ele nunca propôs: Quando eu digo que a psicologia também é política, não estou falando de partido A ou B — e muito menos dizendo em quem você deve votar. Política não se resume a eleições ou disputas partidárias. Estou falando das condições sociais que atravessam diretamente a saúde mental: Acesso a tratamento, desigualdade, pobreza, racismo, violência, moradia, trabalho e direitos básicos. Não dá para compreender o sofrimento de alguém ignorando o contexto em que essa pessoa vive. Hoje, basta mencionar a palavra "Política" para que muita gente automaticamente escolha um lado e comece uma briga. Esse não é o assunto aqui. Se você quiser transformar os comentários em uma discussão partidária como já aconteceu algumas vezes, vai discutir sozinho. Quando alguém me fala que a psicologia não é política, mas então eu penso numa criança que vai para a escola com fome. Porque ela não deixa a fome do lado de fora da sala de aula. Ela entra com aquela criança no corpo, no cansaço, na atenção e na possibilidade de aprender. E aí, se a gente olha apenas para o comportamento, a gente pode dizer que ela é desinteressada, que não se esforça ou que talvez tenha algum problema. E é aí que a psicologia social amplia a pergunta. O que está acontecendo com essa criança? E em quais condições ela está tentando aprender? Pesquisas não dizem que a fome explica tudo e que é esse o motivo que determina o futuro de alguém. Mas pesquisas associam essa insegurança alimentar com dificuldades no desenvolvimento, no comportamento e no desempenho escolar. E esse é apenas um exemplo. Ninguém existe separado da família, da escola, do bairro, da renda, das oportunidades. Claro que a desigualdade não define completamente uma pessoa, mas muda os obstáculos que ela precisa enfrentar e os recursos que encontra para enfrentá-lo. Até porque a mesma tarefa não é o mesmo ponto de partida. Por isso que quando eu digo que psicologia tem uma dimensão política, não é falar de partido A ou B ou em quem você deve votar, mas é te fazer reconhecer que escolhas coletivas influenciam quem consegue comer, estudar, ter segurança, descansar e receber o cuidado que merece.
— .(Escrito dia 19/09/2026, às 18:02)


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