Quando você cresce, parece que se abrir e guardar as armaduras é estar retrocedendo. Há sempre quem diga "Enxuga essa lágrima" e por ter guardado tudo, há tanto tempo, você até esquece como usar da palavra para pedir cuidado. A gente permanece na sede do desabafo só por medo da vulnerabilidade. É muita coisa que acontece entre o caminho do coração até a boca. Se a gente não externalizar os nossos sentimentos, seremos sempre engolidos pelos nossos medos. Quantas vezes você já se escondeu de si? Temos medo de assumir a nossa fragilidade, de nos vermos como sujeito que vibra, palpita, sofre, mas também se regenera. E a linguagem é caminho para isso. Desabafar consigo mesmo também é cura.
Sofia Oliveira