Eu era bem moça quando poética tocou meus ouvidos pela primeira vez através da voz de minha avó. Depois virou mantra através da voz de Bethânia. Há algo que descola do papel, passa pelos ouvidos e toca o coração, arrepia a pele. No tempo, me adentrei procurando uma explicação óbvia e clara para aquilo que talvez, de tão ventilada, não tenha explicação nenhuma. Tentei por Kant, cheguei ao eterno retorno. Olhei para as fiandeiras de Velásquez. Eu vi o tempo passar em rodas de tear. Tens razão, outros que contem passo por passo, o tempo é fluido de natureza transformadora. O tempo remenda o que se abriu, e emenda o que falta, o tempo fala, o tempo se cala. Há tanto silêncio, mas a gritaria também. Há contradição no espaço, e o Oeste já parece mais interessante que o Norte, e este é meu caminho. Tenho alternado pequenos passos com outros mais largos, na corda bamba que é o tempo, me equilibro. Nasço amanhã, onde há espaço e onde não há também, crio o meu tempo. E o meu tempo, é quando?
— .(Escrito dia 19/12/2025, às 21:10).


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