Vamos olhar pro outro? No mundo de egos inflados, olhar pro outro é quase um ato revolucionário. Olhar pra pessoa, pra quem está do lado, é um grande diferencial. Imagina você numa relação, e ouvir a seguinte pergunta: Como eu posso te amar à sua maneira? Parece quase impossÃvel isso, né? Mas eu acho que a gente deveria normalizar essa conversa, perguntar pra pessoa, a forma como ela gostaria de ser amada, esperar que ela responda, ensine sobre ela, e a gente faz a mesma coisa. E aà ambos, escutam, compreendem, e tentam se movimentar, se adaptar um pouco, porque relações não são sobre encaixes perfeitos, são sobre ajustes e acordos, e a gente vai se ajustando. Não é perder a própria identidade, pra viver em função da pessoa ou da relação não, o eu e o você continuarão existindo, para além da individualidade de ambos, mas quando se tem uma relação, agora se tem o nós. Não é algo que você vai fazer apenas por mim, você fará por nós. Não é algo que eu farei apenas por você, eu farei pela gente, pelo bem estar da nossa relação também, e óbvio que também pelo seu bem estar. Precisamos deixar de lado essa auto referência, do tipo: Senão faz sentido pra mim, eu não faço, se eu não vejo sentido, não vou me movimentar, pra mim não tem importância, então eu não vou fazer nada. A relação não é só sobre você, nunca é!
Um dos meus maiores aprendizados nos últimos anos, foi entender que eu preciso parar de esperar nos outros, a pessoa que eu sou. Porque na realidade eu não estou pronta, mas estou disposta. Disposta a entregar a parte mais bonita que eu tenho. A ser vulnerável mesmo quando tenho medo. A viver com urgência ao lado de quem eu escolho. A errar, mas continuar tentando. A crescer para merecer o que peço. A enxergar a outra pessoa, do jeito que eu quero ser enxergada. Não existe momento certo, existe vontade sincera e coragem para ficar quando o fácil é ir embora. Amor não é chegada. É o caminho que a gente escolhe caminhar mesmo sem mapa.
E acho interessante que quanto mais saudável a gente vai ficando, mas vai perdendo o interesse por pessoas doentes, disfuncionais, gente complicada mesmo. É curioso que a gente passa anos achando que o problema é falta de sorte no amor, quando no fundo era só falta de saúde emocional mesmo. Quando você começa a se cuidar, tudo muda, inclusive o seu filtro. A pessoa que antes parecia "Intensa", hoje você vê que era só instável e o "Charme misterioso?" Você descobre que charmoso mesmo, é alguém que sabe se comunicar, o "Temperamento forte" vira só falta de terapia. Quando você cresce por dentro, o que é pequeno começa a não caber mais. A sua paz cria anticorpos, a sua autoestima rejeita o que não se sustenta e seu coração finalmente entende que reciprocidade não é luxo, é condição mÃnima de uso. No fim das contas evoluir não é perder pessoas, é parar de ser perder tentando caber nelas. Eu acredito que tem algo muito forte em quem decide nunca mais passar por determinadas coisas. E não é dureza, não. É lucidez adquirida a duras penas. Essa decisão não nasce do conforto, mas de um cansaço profundo de se abandonar para poder caber. Ela vem depois de perceber que insistir também pode ser uma forma de se violentar. Quem decide isso não fecha o coração, ajusta os limites. Aprende que repetir certas dores não é lealdade, é descuido consigo mesmo. E que amadurecer, à s vezes, é simplesmente parar de negociar o próprio bem-estar. Provavelmente ninguém vai aplaudir essa sua escolha, talvez chamem até de frieza, mas existe uma paz silenciosa em reconhecer o que não se aceita mais e respeitar isso, mesmo quando dá vontade de voltar atrás, que não tem preço. Porque ser gentil não deveria te custar inteligência. Tem uma linha invisÃvel entre cuidar e se abandonar. Quando você cruza, começa a chamar de empatia o que já virou concessão em excesso. Então não seja gentil a ponto de esquecer de ser inteligente. Gentileza sem limite vira dÃvida emocional e você não nasceu pra dever presença a quem não te respeita.
— .(Escrito dia 31/12/2025, às 14:42).


Presentear FlogVIP
Denunciar








